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Simplicidade no falar - G. K. Chesterton


Trecho extraído do livro Ortodoxia, de G. K. Chesterton. Editora Mundo Cristão, p. 206-207.


A maior parte do mecanismo da linguagem moderna visa a poupar trabalho; e poupa muito mais trabalho mental do que deveria. Frases científicas são usadas em rodas e pistões científicos para tornar ainda mais rápido e mais suave o caminho do conforto. Palavras compridas passam por nós chacoalhando como longos trens ferroviários. Sabemos que carregam milhares de pessoas que se sentem demasiado cansadas ou indolentes para caminhar e pensar por conta própria.

É um bom exercício tentar, de vez em quando, expressar as próprias opiniões com palavras de uma ou duas sílabas. Se você disser: “A utilidade social da frase indeterminada é reconhecida por todos os criminologistas como parte de nossa evolução social buscando uma visão mais humana e científica da punição”, você pode continuar falando assim por horas sem que haja nenhum movimento da massa cinzenta no interior do seu cérebro. Mas se você começar dizendo: “Eu queria que Jones fosse para a cadeia e que Brown dissesse quando Jones vai sair de lá”, você vai descobrir, com um calafrio de horror, que você é obrigado a pensar.

As palavras compridas não são as palavras difíceis. Difíceis são as palavras curtas. Há muito mais sutileza metafísica na palavra “dane-se!” do que na palavra “degeneração”. 

Mas essas longas e confortáveis palavras que poupam aos modernos o trabalho do raciocínio têm aspecto particular em que elas são especialmente desastrosas e confundem. Essa dificuldade ocorre quando a mesma palavra comprida é usada em contextos diferentes para significar coisas totalmente diversas. Assim, para dar um exemplo muito conhecido, a palavra “idealista” tem um significado como termo de filosofia e outro totalmente diverso como termo de retórica moral. Da mesma forma, os materialistas científicos queixaram-se recentemente, com razão, de quem confunde o termo “materialista” como termo de cosmologia com “materialista” como um insulto moral. Assim, para dar um exemplo mais comum, o mesmo homem que odeia os “progressistas” de Londres identifica-se como “progressista” na África do Sul.