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A próxima aldeia


Meu avô costumava dizer: "A vida é espantosamente curta. Para mim ela agora se contrai tanto na lembrança que eu por exemplo quase não compreendo como um jovem pode resolver ir a cavalo à próxima aldeia sem temer que - totalmente descontados os incidentes desditosos - até o tempo de uma vida comum que transcorre feliz não seja nem de longe suficiente para uma cavalgada como essa".

4 comentários:

  1. Muito filosófico para o meu gosto. Fiquei um pouco perdido ao ler... acho que perdi umas boas vidas tentando entender isso!

    =)

    Beijo.

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  2. Kafka!!!
    Muito interessante... já tinha lido... mas não me lembro que cavalo é esse mesmo, Janete?
    ]beijos

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  3. “A próxima aldeia”. Brecht explica que ela é um contraponto à história de Aquiles e a tartaruga. Um cavaleiro não chegará nunca à próxima aldeia caso divida a cavalgada em suas menores partes, isto sem falar nos percalços do trajeto. Desse modo, a vida é curta demais para essa cavalgada. Mas o erro está aqui nesta noção de “um cavaleiro”. Como a cavalgada é dividida, também o cavaleiro o deve ser. E uma vez que a unidade da vida é assim eliminada, sua brevidade também desaparece. Não importa o quão curta ela possa ser. Não faz diferença porque quem chega à aldeia é um outro distinto daquele que saiu em cavalgada. – Da minha parte, proponho a seguinte interpretação: a verdadeira medida da vida é a recordação. Como um relâmpago, ela perpassa a vida em retrospectiva. Tão rápido quanto alguém que folheia algumas páginas de trás para frente, ela parte da próxima aldeia e chega ao local em que o cavaleiro tomou a decisão de partir. Aquele que viu sua vida ser transformada em escrita, como os mais velhos, consegue ler esta escrita apenas no sentido contrário. Somente assim ele se reencontra consigo mesmo e apenas assim, fugindo do tempo presente, consegue compreendê-la. W.Benjamin

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  4. “A próxima aldeia”. Brecht explica que ela é um contraponto à história de Aquiles e a tartaruga. Um cavaleiro não chegará nunca à próxima aldeia caso divida a cavalgada em suas menores partes, isto sem falar nos percalços do trajeto. Desse modo, a vida é curta demais para essa cavalgada. Mas o erro está aqui nesta noção de “um cavaleiro”. Como a cavalgada é dividida, também o cavaleiro o deve ser. E uma vez que a unidade da vida é assim eliminada, sua brevidade também desaparece. Não importa o quão curta ela possa ser. Não faz diferença porque quem chega à aldeia é um outro distinto daquele que saiu em cavalgada. – Da minha parte, proponho a seguinte interpretação: a verdadeira medida da vida é a recordação. Como um relâmpago, ela perpassa a vida em retrospectiva. Tão rápido quanto alguém que folheia algumas páginas de trás para frente, ela parte da próxima aldeia e chega ao local em que o cavaleiro tomou a decisão de partir. Aquele que viu sua vida ser transformada em escrita, como os mais velhos, consegue ler esta escrita apenas no sentido contrário. Somente assim ele se reencontra consigo mesmo e apenas assim, fugindo do tempo presente, consegue compreendê-la. W. Benjamin

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