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A vida é poesia


Após um longo e tenebroso inverno, digo, verão, volto a escrever alguma coisa (in)útil neste meu blog. Ainda não decidi se compro um carro ou um bote, já que moro em São Paulo; talvez os dois... talvez nenhum... talvez apenas uma bóia, é mais barata. Mas vou sobrevivendo em meio ao caos com os mais de 10 milhões de outros seres vivos desta cidade.

Acho que ainda é tempo de falar de projetos para este ano. Aliás, em fevereiro, já podemos perceber que nem tudo que planejamos para 2010 dará certo. Um mês já se passou e aquele regime, os exercícios, os estudos que iríamos começar em janeiro até agora não deram sinal de vida. Não façamos planos (façamos, mas não os falemos a ninguém), façamos de conta que tudo está sob controle, mesmo que não esteja.

Mas a vida é poesia e prosa. A vida é conto, é fábula. Quanto mais rápido se quer chegar, mais tempo se perde. Quanto mais esperto achamos que somos, mais tombos levamos.

Aprendi uma coisa em um curso que fiz não sei quando nem onde: "Todo mundo chega junto", aqui em São Paulo, principalmente. Não acredita? Experimente ultrapassar a senhorinha que está à sua frente de carro, andando a 20km/h em uma avenida movimentada. Mais à frente, você irá parar no semáforo. Adivinhe quem irá parar ao seu lado? Isso mesmo, a senhorinha. TODO MUNDO CHEGA JUNTO! Este deveria ser o mantra dos paulistanos!

Bem, chega de blá, blá, blá. Quero apenas deixar um poema de Baudelaire que talvez vocês já conheçam, mas que vale a pena ser lido novamente. Abaixo deixo também uma música que gosto muito.
Desejo a todos um excelente mês de fevereiro.



A uma passante


A rua ensurdecedora ao redor de mim agoniza.
Longa, delgada, em grande luto, dor majestosa,
Uma mulher passa, de uma mão faustosa,
Soerguendo-se, balançando o festão e a bainha;
Ágil e nobre, com sua perna de estátua.
Eu, embevecido, inquieto como um extravagante,
Em seus olhos, o céu lívido onde se oculta o furacão,
A doçura que fascina e o prazer que destrói.
Um clarão... depois a noite! - Beleza fugidia
Cujo olhar me faz subitamente renascer,
Não te verei senão na eternidade?
Alhures; bem longe daqui! Muito tarde! Jamais talvez!
Pois ignoro onde tu foste, tu não sabes onde vou,
Ah se eu a amasse, ah se eu a conhecesse!
(Tradução de Marco Antonio Frangiotti. In Baudelaire: Oeuvres Complètes)




Só tinha de ser com você - Elis Regina


3 comentários:

  1. Eu adorei !!!
    Favor incluir nas tuas decisões de novo ano: escrever mais no meu blog (ou seria blogue ?) !!!
    Beijos anônimos,
    Jana

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  2. já estava com saudades, Janete. Não deixe de postar no seu blog.

    todo mundo chega junto em qualquer lugar, não só em Sampa. Até aqui no interiorzão de Minas...

    ah, também gosto muito de Baudelaire.


    abraço.

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  3. São Paulo é o caos do caos! Não há como negar... mas a situação não é muito diferente de outras cidades por aí. É claro que há um exagero por aqui, mas... Todo mundo chega junto!

    E eu entrei nessa de "fazer planos ocultos", e só os divulgo quando estou prestes a realizá-los. Geralmente, e Murphy deve explicar, quanto mais planejamos, menos fazemos.

    Continue com as atualizações.

    Beijo, colega!

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